• Jornalista Gabriela Freitas

"Quem canta os males espanta", saiba os principais benefícios de quem solta a voz

Você conhece o ditado popular: “Quem canta os males espanta”? Apesar de estar sempre em evidencia em muitas rodas de conversa, é possível pensar que realmente a música tem a capacidade de trazer bem-estar para aqueles que ouvem ou cantam.

Por esse motivo, em 2008, o jovem maestro Roberto Ondei fundou o Coro Municipal de Santo André. O projeto nasceu com intuito de fortalecer culturalmente a cidade do Grande ABC. Além disso, mostrar o dom que a música tem em transformar. Em poucos anos, o Coro andreense tornou-se um grupo de excelência artística e reconhecido nacionalmente.

Em 2018, a Instituição passou a ser administrado pela Associação Coro da Cidade de Santo André. A partir de 2019, o grupo foi contemplado pela gestão municipal com uma subvenção anual que colabora com a continuidade dos trabalhos.

“O Coro de Santo André é um patrimônio cultural da cidade. Ele oferece aos seus cantores a oportunidade de fazer música em alto nível, mesmo nunca tendo estudado”, comenta o jovem maestro.

Benefícios do canto coral

Um Coro, além de um meio de comunicação cultural-musical muito importante, é um veículo de projeção positivo para qualquer localidade. Ele impulsiona os diversos agentes locais e a população para um processo de conhecimento e apropriação das linguagens artísticas. Então, resulta no desenvolvimento educacional e da qualidade de vida.

“Nossos cantores, que estão conosco desde 2008, tiveram a oportunidade de cantar com algumas das melhores orquestras do Brasil e serem regidos por grandes maestros. Além de cantarem em locais como Sala São Paulo, Auditórios do Masp, Ibirapuera, Theatro São Pedro, Programa Domingão do Faustão, entre muitas outras experiências, montagens de ópera e repertório sinfônico. É isso que queremos oferecer! Mudança de vida para melhor através da música”, salienta Ondei.

Autoestima

Outro ponto que o coral auxilia é no fortalecimento do bem-estar das pessoas e, até mesmo, com a depressão. Para Glaucio Alves Paviatti, 46, o Coro Municipal de Santo André ajudou a lidar com a perda de um ente querido. Em sua primeira apresentação com o grupo, em 2014, ele cantou um dia depois da morte de seu pai Renaldo Paviatti.

“Pra mim foi e está sendo a melhor sensação que já podia ter sentido. Sou muito grato por fazer parte desta família. Até hoje a música tem transformado minha vida para melhor. E os amigos que lá fiz continuam a cada dia sendo muito especiais para mim. Então só tenho uma palavra para definir o Coro da Cidade de Santo André: Gratidão”, declara o cantor, que completa: “hoje só sinto muita falta dele [pai] junto de minha mãe na plateia me prestigiando nas apresentações do Coro, mas sei que ele está comigo no meu coração”.

Glaucio compõe o Nype de Tenores e atualmente é Vice-diretor de Operações da Instituição.

Relação interpessoal

Através do ato de cantar em conjunto, as pessoas desenvolvem o respeito ao próximo e suas individualidades, a protocooperação, a concentração, memória, respiração, autoconhecimento, entre muitas outras qualidades.

“O que mais gosto é o aprendizado, fora ver o público feliz em ouvir músicas bem cantadas. Os profissionais que estão à frente são excelentes no que fazem. O motivo de entrar [no Coro de Santo André] foi a seriedade do teste. Pude notar que era um trabalho sério apesar de feito para amadores. Os profissionais nos ensinam como iguais. Para minha vida cantar em coro é essencial e este é ótimo’’, conta Solange Aurora Pezzolo dos Santos, 61, integrante da Associação há sete anos.

Cultura

O Canto Coral também tem a função de descobrir os valores musicais existentes na cidade, e em toda região acerca dela. Além disso, dá oportunidade para evolução artística e educação por meio da música.

“As apresentações são de alto nível. Já participamos de diversas peças importantes da música clássica. A música faz parte da minha vida, talvez eu fosse muito menos feliz sem ela”, diz Carlos Alberto dos Santos, 64, participante do projeto desde a fundação, em 2008.

O cantar

De acordo com o produtor musical Wilson Gava, com vasto conhecimento em preparo vocal, os corais podem ser classificados como profissionais ou de formação por hobby. No primeiro segmento a prática de cantar está ligada a apresentação em espetáculos e técnica. Já a outra definição se dá pelo fato das pessoas se unirem com objetivo de canto-terapia.

“Dentro da prática do canto coral há muitos benefícios. O primeiro deles é a superação. Você deve perder o medo e não se intimidar. A voz é uma intimidade e um corpo. A medida que é trabalhada é possível melhorar. Cantar é uma habilidade humana”, relata Gava.

O profissional ainda enfatiza que o aprimoramento no trabalho da técnica vocal faz parte de um tipo específico de inteligência, chamada inteligência sonora. “Tem vozes melhores porque vão para lugares melhores dentro do corpo. Tudo isso é da pessoa, mas são sons que andam dentro do corpo. A maioria das pessoas não conhecem porque tem baixa inteligência vocal. Uma pessoa que nunca trabalhou a voz, ela vai usar no máximo 15% e um cantor sem técnica vocal utiliza apenas 20%. Existe normalmente um percentual de 80% de caminhos dentro da voz a ser explorado”, explica o produtor musical.

O Coro de Santo André

O projeto do Grande ABC é formado por 40 cantores, entre homens e mulheres. As classificações vocais masculinas são Tenor (voz mais aguda), Barítono (voz intermediária entre Tenor e Baixo) e Baixo (voz mais grave). Já as classificações vocais femininas são Soprano (voz mais aguda), Mezzo-soprano ("mezzo" significa meio em italiano, é a voz entre soprano e contralto) e Contralto (voz mais grave).

“O canto coral é como uma orquestra, produzimos música como se fôssemos vários instrumentos. É muito importante que tenhamos consciência de que a soma dos esforços é que faz o resultado. Em meio aos ensaios e apresentações sempre me pego pensando em como uma mente pode encadear tantas notinhas e instrumentos ao ponto de construir músicas tão belas e emocionantes. Isso é sensacional!”, afirma Maria Mônica Perecin, cantora do projeto desde 2014.

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